segunda-feira, 4 de abril de 2016

O último discurso - Chaplin

Texto do discurso de Chaplin, no filme O Grande Ditador:


DISCURSO – O GRANDE DITADOR DE CHAPLIN
Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível – judeus, o gentio... negros... brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar “a passo de ganso” para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado na penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! a desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. e assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá. Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! e com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! no décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... De faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice. É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos! Hannah, estás-me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? o sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! a alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos! Charles Chaplin


ESCRAVIDÃO - Trechos e conceitos

As características da escravidão praticada no interior do continente africano, quando os europeus lá chegaram no século 15 e 16.

“Em primeiro lugar, a existência do chamado “escravo” não é razão para aceitar a escravidão. Em qualquer circunstância, a escravidão é uma instituição desumanizante e deve ser condenada. O homem nasce livre até que alguém o escravize. Portanto, o próprio conceito está errado. O correto é “escravizado”, não “escravo”. Não há uma categoria de escravo natural. Porém, esse conceito já está enraizado na literatura. Em segundo lugar, o conceito de “escravo” vem de outra visão de mundo, diferente da africana. Como em outras sociedades, na África existia a categoria de cativos, que eram prisioneiros de guerra ou pessoas que cometiam algum delito na sociedade e eram levadas por outros grupos étnicos. Os homens trabalhavam como serventes dos reis, príncipes e guerreiros, enquanto as mulheres se tornavam esposas e reprodutoras das famílias reais. Todos os filhos dos cativos eram livres. Em outros casos, famílias penhoravam algum parente quando havia grandes calamidades. Esses parentes poderiam trabalhar em outras famílias temporariamente ou para sempre, caso sua família original não tivesse condições de adquiri-lo de volta. Em hipótese alguma havia um escravismo como sistema de produção, pois não era uma sociedade de acúmulo de capital, mas de subsistência. Essa categoria de cativo africano foi traduzida como escravo. Mas não o é, pois o sistema escravista pressupõe que os escravizados sejam bem mais numerosos que os senhores. No Brasil, até século 17, os negros eram cerca de 70% da população. Em compensação, algumas sociedades africanas não queriam nem guardar o cativo, achavam que ele não servia para nada. Por isso alguns eram enterrados vivos com reis, para servi-lo no outro mundo. Muitos reis e príncipes colaboraram com o tráfico negreiro para outros continentes, capturando negros de outros grupos étnicos para vendê-los como escravizados. Mas este fato também não justifica a escravidão.” 

Entrevista ao historiador Kabengele Munanga Site - http://www.aomestre.com.br/ent/e_kabengele.htm - setembro- 2007


A escravidão nas sociedades atuais

 “O conceito de trabalho escravo utilizado atualmente faz referência a uma espécie de trabalho que se distingue daquele tipo exercido na antiguidade, bem como no período colonial brasileiro. Por esse motivo, se discute doutrinariamente se a expressão trabalho escravo é a correta para determinar esse fenômeno moderno, que representa uma patologia da sociedade atual. O fato, inegável, é que o trabalho escravo, trabalho forçado, escravidão por dívidas, ou qualquer denominação que seja dada a ele, está presente no Brasil, principalmente nas áreas rurais e distantes, nas quais se tornam difícil a fiscalização e atuação do Ministério Público do Trabalho.(...) A crítica à terminologia trabalho escravo existe por vários motivos. Em, primeiro lugar, como já exposto, os trabalhadores chamados de escravos atualmente se diferenciam do conceito histórico de escravo. A principal razão dessa diferença reside no fato de que o cerceamento da liberdade do escravo moderno não se dá de forma explícita e deliberada, como nos moldes da escravidão extinta no Brasil no século 19. Além disso, os termos trabalho forçado ou obrigatório se encaixam na mesma definição de trabalho escravo. Para efeitos deste estudo, consideraremos todos como integrantes da categoria “trabalho escravo moderno”, que não é igual, mas que em alguns aspectos se assemelha à escravidão de outrora.(...) Pode-se definir o trabalho escravo moderno, forçado ou obrigatório, como sendo aquele em que há a completa subjugação do trabalhador, submetido às condições
degradantes de trabalho, na qual há uma coerção física e moral para que ele permaneça nessa condição. Em geral, os trabalhadores modernos tidos como escravos são agenciados pelos chamados “gatos”, que, contratados pelos donos das fazendas, saem em busca de trabalhadores na época das safras. Levados a lugares distantes de sua residência, esses trabalhadores já chegam às fazendas com dívidas de transporte, moradia e alimentação, que nunca são quitadas. Trata-se de um ciclo vicioso, e, apesar do absurdo da situação, o próprio trabalhador acaba por sentir-se obrigado a permanecer no local até que as dívidas sejam pagas, o que nunca ocorre. Na concepção da Organização Internacional do Trabalho, bem como do Ministério Público do Trabalho, o cerceamento da liberdade do trabalhador pode-se dar de quatro formas: apreensão de documentos, presença de guardas armados, dívidas ilegalmente impostas e condições geográficas do local, que inviabilizam a fuga. Aliado a esses elementos, o escravo moderno trabalha em precárias condições de higiene e saúde. Fato é que, embora o cerceamento da liberdade do indivíduo não seja explícito, ele existe. O trabalhador é submetido a uma espécie de coerção física e moral que o impede de se livrar dessa condição.

Sônia Mascaro Nascimento a Questão do Trabalho Escravo http://www.oabsp.org.br/boletim-informativo/trabalhista/edição-05-dezembro-de-2005/a-questao-do-trabalhoescravo-dra-sonia-mascaro-nascimento - setembro-200


Proposta de atividade - História e memória

Analise a  descrição de um viajante europeu sobre a cidade de Salvador em 1699:

“A vila propriamente dita consiste em cerca de duas mil casas, a maior parte das quais não pode ser vista do porto, porém, as que aparecem, com grande mistura de árvores entre elas, e todas colocadas sobre elevações, formam uma perspectiva muito agradável. Aqui vive um arcebispo, que tem belo palácio na cidade, e o palácio do governador é um bom edifício de pedra, e do mar causa boa impressão, embora por dentro o mobiliário não mostre requinte algum. Tanto espanhóis como portugueses, em suas colônias no exterior, como observei geralmente aqui, gostam de ter casas grandes, mas não se interessam pelo mobiliário, a não ser no gosto pelos quadros. As casas da vila têm dois ou três andares, com telhados cobertos de telhas curvas. e muitas delas têm sacadas. As ruas principais são grandes, e todas pavimentadas ou cobertas com pedregulho. Há também passeios públicos nos lugares mais notáveis da vila, e muitos jardins, tanto dentro como fora das casas e ali são cultivadas árvores frutíferas, plantas medicinais, verduras para saladas, e flores em grande variedade, mas arranjadas sem grande ordem ou arte.” – William. Dampier. A viagem para Nova Holanda no ano de 1699. Londres: J.A. Williamsom, 1939, p. 33-43.

•Realize a leitura dando destaque às características urbanas (tipos de construções,  praças, ruas) e sobre sua localização;
•Identifique os costumes que autor do texto considerou diferentes dos hábitos a que estava  acostumado.
•Levante hipóteses sobre técnicas de construções das casas, praças, ruas, e quem eram  os trabalhadores encarregados dessas atividades no período colonial.
•Peça para que sejam feitos desenhos a partir da descrição da cidade pelos colegas.
•Apresente o período em que foi escrito o texto e seu contexto histórico (Salvador como  sede do governo ou capital da colônia entre os anos de 1549 a 1763) com auxílio de leituras de livros didáticos ou outras obras paradidáticas.
•Elabore a linha do tempo sobre o período colonial (sécs. 16, 17, 18 e chegar a 1822)
•Localize na linha do tempo os anos da fundação de São Paulo e de Salvador.




Reflexão sobre a natureza e o trabalho - para o estrangeiro e para o índio

Pra quem ainda acha que o índio é preguiçoso e não sabe o valor do trabalho, segue um texto bem interessante que encontrei em minhas leituras, que nos faz refletir e comparar alguns conceitos de uso da natureza, acúmulo de bens materiais e relações humanas:

Os nossos tupinambás se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar o seu arabutan [pau-brasil]. Uma vez um velho perguntou-me: por que vindes vós outros, maírs e perós [franceses e portugueses] buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual faziam eles com seus cordões de algodão e suas plumas.
Retrucou o velho imediatamente: e porventura precisais de muito? – Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. – Ah! Retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: mas esse homem tão rico de que me fala não morre? – Sim, disse eu, morre como os outros. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam? – para seus filhos se os têm, respondi; na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. – na verdade, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados. Esse discurso, aqui resumido, mostra como esses pobres selvagens americanos, que reputamos bárbaros, desprezam àqueles que com perigo de vida atravessam os mares em busca de pau-brasil e de riquezas. Por mais obtusos que sejam, atribuem esses selvagens maior importância à natureza e à fertilidade da terra do que nós ao poder e à providência divina. 

Jean de Léry [1534-1611]. Viagem à terra do Brasil. Traduzido por Sérgio Milliet. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1980, p. 169-170.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

IDEOLOGIA - Um exercício de reflexão!

“Você sabe o que é ideologia? (FREI BETTO, 1990)

Ideologia é um conjunto de idéias que temos na cabeça. Idéias políticas, morais, estéticas, religiosas etc. Todo mundo tem ideologia. Mas nem todos sabem que têm ideologia. A ideologia é como os óculos que ficam na frente dos nossos olhos. Quem usa óculos enxerga melhor as coisas quando os tem diante dos olhos. Mas, ao ver as coisas, não vê os próprios óculos. Assim é a ideologia: em geral, não temos consciência da ideologia plantada na nossa cabeça.

Quem planta essa ideologia na nossa cabeça? A educação familiar, a escola, a televisão, os jornais, a moda, o cinema, a Igreja etc. Como essas instituições, numa sociedade desigual, são em geral controladas pela classe mais poderosa, a ideologia predominante nessa sociedade desigual é em geral controlada pela classe que detém o poder. Por isso há moradores da favela conformados, acreditando que sempre haverá ricos e pobres.

A ideologia produz em nós uma escala de valores e um modo de agir. Numa sociedade desigual, em geral a ideologia encobre a realidade: acreditamos que a miséria do Nordeste é fruto da fatalidade ecológica da seca ou que a inflação é um balão de oxigênio com vida própria que nem os mais competentes economistas conseguem dominar. Há, porém, uma ideologia que ajuda a descobrir a realidade, fazendo-nos vê-la assim como um mecânico vê um carro: por dentro, conhecendo toda a engrenagem e os mecanismos de funcionamento. Essa ideologia – ideologia dos oprimidos – é temida pelos opressores” 



E pra finalizar o nosso exercício de reflexão, algumas imagens sobre o tema... CLIQUE AQUI


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Mito da Caverna de Platão em 10 Filmes

Você está preso em uma caverna escura, acorrentado e forçado a olhar para uma parede na frente de você, e você tem sido colocado nesta posição desde o seu nascimento. Nesta parede, você vê sombras de figuras e objetos iluminados por um fogo posicionado atrás de você. Soa familiar? Um dos mais antigos experimentos mentais na história da filosofia, a alegoria da caverna de Platão serve como um veículo para ajudar a imaginar um mundo ou uma realidade nova.
Quase toda a filosofia está em débito com Platão, de uma forma ou de outra, por isso sem surpresa muitos filmes fazem alusão a ele e à sua alegoria da caverna em particular. Aqui está uma lista de 10 grandes filmes que apresentam as alegorias da caverna platônica.
Que filmes você acrescentaria a esta lista?
Por Taste of Cinema (Fonte: http://cinetoscopio.com.br/2015/09/15/o-mito-da-caverna-de-platao-em-10-filmes/ )

1. Uma Aventura LEGO (Christopher Miller & Phil Lord, 2014)
A aventura animada conta a história de Emmet, uma minifigura LEGO seguidora de regras e perfeitamente comum, que é erroneamente identificada como a pessoa mais extraordinária e a chave para salvar o mundo. Ele é recrutado para integrar uma sociedade de estranhos e seguir uma jornada épica para deter um tirano, uma viagem divertida para a qual Emmet vai totalmente despreparado.
The-Lego-Movie-2014

2. Pacto Sinistro (Alfred Hitchcock, 1951)
Guy Haines, um tenista profissional, tem a oportunidade de conhecer Bruno Antony, um rico perdulário, em um trem. Tendo lido tudo sobre Guy, Bruno está sabendo que o jogador de tênis tem um casamento infeliz com Miriam e foi visto na companhia de Anne Morton, a filha de um senador. Inoportunamente, Bruno revela para Guy que sempre odiou seu pai. Guy escuta Bruno discursar sobre a teoria da “troca de assassinatos”. Supondo que Bruno matasse Miriam e Guy, em troca, assassinasse o pai de Bruno, não haveria conexão entre os assassinos e suas vítimas e no momento das mortes os interessados teriam álibis que os deixariam livres de qualquer suspeita. Ao chegar no seu destino Guy se despede de Bruno, sem pensar mais na teoria homicida dele, que considerou uma piada. Mas Bruno em sua loucura entendeu que havia um pacto entre eles. Em pouco tempo Miriam é estrangulada e agora Bruno quer que Guy mate seu pai e cumpra sua parte no acordo.
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3. Sinédoque, Nova York (Charlie Kaufman, 2008)
Caden (Philip Seymour Hoffman) é um dramaturgo angustiado que tem problemas com as diversas mulheres de sua vida, incluindo sua ex-mulher Adele (Catherine Keener), uma pintora famosa que o trocou por um artista alemão, sua filha Olive (Sadie Goldstein) e a atual esposa Lucy (Michelle Williams).
Synecdoche-New-York-2008

4. Interestelar (Christopher Nolan, 2014)
Após ver a Terra consumindo boa parte de suas reservas naturais, um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand, Jenkins e Doyle, ele seguirá em busca de uma nova casa. Com o passar dos anos, sua filha Murph investirá numa própria jornada para também tentar salvar a população do planeta.
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5. Ilha do Medo (Martin Scorsese, 2010)
Em 1954, uma dupla de agentes federais investiga o desaparecimento de uma assassina que estava hospitalizada. Ao viajarem para Shutter Island – ilha localizada em Massachusetts – para cuidar do caso, eles enfrentam desde uma rebelião de presos a um furacão, ficando presos no local e emaranhados numa rede de intrigas.
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6. A Vila (M. Night Shyamalan, 2004)
Em 1897 uma vila parece ser o local ideal para viver: tranquila, isolada e com os moradores vivendo em harmonia. Porém este local perfeito passa por mudanças quando os habitantes descobrem que o bosque que o cerca esconde uma raça de misteriosas e perigosas criaturas, por eles chamados de “Aquelas de Quem Não Falamos”. O medo de ser a próxima vítima destas criaturas faz com que nenhum habitante da vila se arrisque a entrar no bosque. Apesar dos constantes avisos de Edward Walker (William Hurt), o líder local, e de sua mãe (Sigourney Weaver), o jovem Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) tem um grande desejo de ultrapassar os limites da vida rumo ao desconhecido. Lucius é apaixonado por Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), uma jovem cega que também atrai a atenção do desequilibrado Noah Percy (Adrien Brody). O amor de Noah termina por colocar a vida de Ivy em perigo, fazendo com que verdades sejam reveladas e o caos tome conta da vila.
The-Village

7. Matrix (Andy Wachowski & Lana Wachowski, 1999)
Em um futuro próximo, Thomas Anderson (Keanu Reeves), um jovem programador de computador que mora em um cubículo escuro, é atormentado por estranhos pesadelos nos quais encontra-se conectado por cabos e contra sua vontade, em um imenso sistema de computadores do futuro.
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8. Mais Estranho que a Ficção (Marc Forster, 2006)
Certa manhã Harold Crick (Will Ferrell), um funcionário da Receita Federal, passa a ouvir seus pensamentos como se fossem narrados por uma voz feminina. A voz narra não apenas suas idéias, mas também seus sentimentos e atos com grande precisão. Apenas Harold consegue ouvir esta voz, o que o faz ficar agoniado. Esta sensação aumenta ainda mais quando descobre pela voz que está prestes a morrer, o que o faz desesperadamente tentar descobrir quem está falando em sua cabeça e como impedir sua própria morte.
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9. O Labirinto do Fauno (Guillermo del Toro, 2006)
Espanha, 1944. Oficialmente a Guerra Civil já terminou, mas um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas ao norte de Navarra. Ofelia (Ivana Baquero), de 10 anos, muda-se para a região com sua mãe, Carmen (Ariadna Gil). Lá as espera seu novo padrasto, um oficial fascista que luta para exterminar os guerrilheiros da localidade. Solitária, a menina logo descobre a amizade de Mercedes (Maribel Verdú), jovem cozinheira da casa, que serve de contato secreto dos rebeldes. Além disso, em seus passeios pelo jardim da imensa mansão em que moram, Ofelia descobre um labirinto que faz com que todo um mundo de fantasias se abra, trazendo consequências para todos à sua volta.
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10. O Show de Truman (Peter Weir, 1998)
Pacato vendedor de seguros (Jim Carrey) tem sua vida virada de cabeça para baixo quando descobre que é o astro, desde que nasceu, de um show de televisão dedicado a acompanhar todos os passos de sua existência.
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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Bertolt Brecht - Desnaturalização e Estranhamento da realidade

Na peça teatral  A exceção e a Regra, Bertold Brecht aborda questões sociais importantes, que precisam de reflexão: a desigualdade, o preconceito, etc. e que nos fazem refletir sobre situações que não podemos perceber como naturais e/ou não estranhar essa realidade...

Em aula, trabalhamos com dois trechos dessa peça teatral e discutimos sobre os temas em questão (DESNATURALIZAÇÃO E ESTRANHAMENTO DA REALIDADE) com os alunos.

“Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra”.


"Não aceites o habitual como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar."

Ao final, foi pedido que cada aluno descrevesse (e escrevesse em seu caderno) algo que não lhe seja natural (que lhe cause estranhamento) e que a sociedade considera como normal, habitual: o descaso com os moradores de rua, o desperdício de alimento e a fome, o preconceito e a desigualdade de oportunidades foram exemplos citados.

A proposta é simples, e foi algo realizado em um período de aula só, mas a ideia é que cada um de nós como cidadão não perceba o que acontece hoje com o mundo como algo natural, e que o abuso não seja algo natural (mesmo que ele seja "sempre a regra", como citado no trecho).